“Ninguém é mau. E quanto mal foi feito.” Victor Hugo
“Há uma exuberância na bondade que parece ser maldade.”Friedrich Nietzsche
Tenho me perguntado por estes dias sobre a maldade e seu hipotético oposto, a bondade. Reais ou imaginárias? Espontâneas do ser humano ou algo a ser absorvido do ambiente externo?
A maldade, em minha concepção, não é um conceito tão complexo quanto a filosofia nos faz crer. É simples e primitivo, e não se trata necessariamente de uma “escolha”; mas de uma “alternativa” para a sobrevivência. Uma saída possivelmente antiética e eximida de altruísmo não indica uma saída mal-intencionada.
O que nos faz julgar algo como bom ou ruim é a criação que temos, o ideal de virtude desenhado pela doutrina cristã, os ideais de virtude segundo as outras doutrinas ou mesmo a ausência de uma.
É mais uma questão de perspectiva que de “verdade”, mas somente uma perspectiva é legitimada pelo grupo.
Às vezes nos vemos em situações em que precisamos escolher entre o sofrimento de duas pessoas e acabamos por favorecer aquela por quem temos maior apreço.
O ser humano não é mau, não nasce mau. Só é humano, e está exposto a todas as implicações dessa condição; como o medo, o desespero, a ambição, a inveja, o erro…
Triste pensar que, às vezes, um simples ato de defesa, de auto-proteção seja visto como uma atitude egoísta e regida por princípios malignos asquerosos.
A má índole, o caráter ruim e a intenção prejudicial existem, é inegável; mas o pressuposto de “dualismo” que divide o que é bom do que não é está equivocado. Uma convenção surgida na Pérsia, na antiga religião de Zaratustra que nos apresentou este conceito; a eterna luta entre o bem e o mau em que “o melhor” deve sair vencedor. O que não é mais encarado como definitivo nem absoluto, uma vez que tudo o que contem o bem pode conter o mal nas mesmas proporções, sendo que um não anula o outro, mas se completam. O que me lembra de um trecho de Raul Seixas em “O trem das 7″ que diz:
“…Ói, olhe o mal, vem de braços e abraços com o bem num romance astral…”, exemplificando com maestria a “perspectiva” que aqui apresento.
A teoria da natureza da maldade é buscada deste a antiguidade clássica, sendo defendida ou rechaçada ao longo do tempo, passando pelas teorias de Kant, Rousseau, Voltaire, e tantos outros que sempre procuraram um resposta para esta questão.
É lógico que não é uma discussão inédita; provavelmente tão antiga quanto o equívoco em si, mas sempre tenho vontade de colocar as ideias com minhas palavras; um hábito “natural”.
Frequentemente encontrarei mentes que discordarão do meu ponto de vista, outras que não o vão compreender, e haverá aquelas que nem mesmo ao trabalho se darão; mas fato é que não importa realmente, pois a “verdade” não existe nem nunca existiu, apenas as “convenções”.

Não deixa de ser uma reflexão
eu concordo um pouco, por exemplo que nada é só bom ou só mau.
Só que algumas pessoas que são mal-intencionadas sempre são assim.
Discordo, mas é um bom texto.
bjo
Uma análise muito consciente, visto que não tenha se preocupado em atribuir juízos de valor. Tenho acompanhado os textos há algumas semanas e estou surpresa que uma garota tão jovem seja sábia e judiciosa como tem se mostrado.
O ideal é que todos aprendam a exercitar este distanciamento das crenças e valores próprios quando entra em uma carreira humanística, como Direito, Filosofia e História; mas não é o que acontece na maioria dos casos.
Enxergando a raiz dos conceitos dessa forma será uma boa advogada ou historiadora, não duvido.
Continue estudando e indagando as verdades que irá muito longe em suas ambições.
Parabéns.
Gostei do texto e da figura (Imagem), roubei para colocar no post em meu blog, mas dei o devido crédito.
http://www.vozmudaouvidossurdos.blogspot.com