A verdade sutil de Borges

Según se sabe, esta mudable vida

Puede, entre tantas cosas, ser muy bella.

[BORGES, Jorge Luis, La Luna]

Diante de tal afirmação há quem veria comicidade. Não em reconhecimento à graciosidade do verso, mas achacharia “graça” na ingenuidade poética do autor.

Em um tempo como este, com a agenda rabiscada de compromissos, com inesperadas urgências desesperadas nos incubindo de algo a todo instante, ocupando um tempo que não temos. Época essa de propostas ultrajantes, de emoções banalizadas e de surpresas ensaiadas. Uma vida cheia de vazio.

Pois se enganam os que assim pensam. A vida não é vazia por falta de escolha, uma vez que vivemos, também, numa era de oportunidades. Temos a possibilidade de alcançar nossas metas, desde que não sejam, obviamente contraditórias entre si.

Ainda bem que Borges nos esclarece. Ele não nos afirma que a vida é bela, mas que, apesar de tudo, ela “pode” ser bela se assim quisermos torná-la.

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