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Archive for setembro \24\UTC 2010

Tragédia Tatuada

Rabisco-me com a lapiseira
As linhas cinza formam traços indistintos
Como nuvens mutantes em um dia tranquilo.

Rios, montanhas, ondas, prédios
Desenho duas torres
Tão idênticas como gêmeas
Despertam-me uma lembrança cinza

Desenho pó, fumaça e calor
calafrio e arrepios
ouço gritos de pavor

Registro em minha pele
o último marco da história
tristeza sofrimento e dor

Três mil pessoas que se foram
tudo em nome de um senhor
Crise medo e agonia
pulítyca do terror
Propaganda tendenciosa
dinheiro jogado fora
guerra até agora!
9 anos de horror

Imagens em minha memória
pó fumaça e calor
calafrio e arrepios
ouço gritos de pavor

Mulçumanos morrendo ainda
a velha história de um povo superior.

Já foi vingança, armas químicas,
ideologia ou reservas petrolíferas
Qual a desculpa agora? Qual será esse motor?

Presidente preto, pobre e africano
mulçumano convertido em cristão
nada mudou, nada acabou
nobel despendido em vão.

O mundo nem mais se importa
desliga a televisão
É o normal, o rotineiro
Nem mais requer atenção.

O pó se assentou
a fumaça se esvaiu
O calor e os calafrios
aqueles milhares de gritos
estridentes e aflitos
ainda me arrepiam de pavor
As poucas horas
que esta década não superou.

Sem uma gota de sangue
em um dia quase tranquilo
a lapiseira me arranhou

É inevitável, não posso negar
é a realidade que me causa dor

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“Faça amor. Não faça guerra”
O lema de uma geração que marcou a história do ocidente.
A década de 70 é o divisor de águas em relação às conquistas que permitem nosso atual estilo de vida – embora nem todos se deem conta disso.
Simbolizada pelo Festival de Woodstock anunciado como “Uma Exposição Aquariana: 3 Dias de Paz & Música” em agosto de 1969, a geração “Sexo, Drogas e Rock ‘n’ Roll” pregava nada mais que a liberdade, a personalidade e a vontade de cada um; e o respeito à liberdade, personalidade e vontade de cada outro. Este é seu maior legado.
Não que seja um ideal hoje contemplado, mas é o que se busca.
As gerações posteriores à contracultura (gosto de chamar “contra opressão”) não foram tão radicais, mas estiveram sempre buscando e defendendo a liberdade de expressão de suas opiniões e individualidades.
O sonho da “Sociedade Alternativa” não está perdido. Existem hoje, porém, alguns agravantes novos, e podemos dizer que houve um relativo “amadurecimento” das juventudes no decorrer desses 40 anos, afinal, não havia Crack nem AIDS quatro décadas atrás. A perspectiva de uma guerra global iminente não nos pressiona, e não somos obrigados a obedecer a um regime contra nossas convicções para preservar nossas vidas.
Vivemos uma era bem menos extrema, e isso exige de nós uma maior responsabilidade em nossas atitudes.

O legado ainda está vivo. Muros caíram e preconceitos ruíram; Leilas Dinizes não causam mais “escândalo” e Lennons e Rauls são lembrados, homenageados e imitados. Rita Lee ainda é disco de ouro após coincidentes “40 anos de sucesso” e o Poliamor atrai milhões de adeptos na Europa e nos EUA, engatinhando para a 3ª Revolução Sexual.
“Conservadores” não é um adjetivo adequado, mas “conscientes” – talvez mais acomodados, mas sem estagnação.
Os jovens, com suas diversas minorias, prosseguem em um movimento silencioso, quebrando paradigmas e promovendo uma “alternativa para a sociedade convencional”.

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“A experiência da contracultura forneceu a evidência mais palpável, até hoje, da possibilidade de uma cultura governada pelo princípio do prazer e não pelo princípio da realidade, gerador de neurose. Pode-se dizer que a contracultura foi a primeira experiência capaz de desmentir, na prática, a suposição de Freud de que não pode haver cultura sem repressão. ”

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Esta charge na verdade nem é nova, mas eu a conheci hoje e gostei muito.
Um dos primeiros textos que postei neste blog foi sobre o Jorge Luis Borges e gosto demais dele. Achei a charge muito “divertida” e “séria” ao mesmo tempo:

Motivação

charge de Caco Xavier

=]

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Reflexões Aleatórias III

Para quê a sonoridade?
Para quê as rimas?

Por quê rimar
se pra rimar eu preciso de uma palavra que rima
e perco a liberdade de dizer o que eu quero
pra dizer o que combina?

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