Tragédia Tatuada

Rabisco-me com a lapiseira
As linhas cinza formam traços indistintos
Como nuvens mutantes em um dia tranquilo.

Rios, montanhas, ondas, prédios
Desenho duas torres
Tão idênticas como gêmeas
Despertam-me uma lembrança cinza

Desenho pó, fumaça e calor
calafrio e arrepios
ouço gritos de pavor

Registro em minha pele
o último marco da história
tristeza sofrimento e dor

Três mil pessoas que se foram
tudo em nome de um senhor
Crise medo e agonia
pulítyca do terror
Propaganda tendenciosa
dinheiro jogado fora
guerra até agora!
9 anos de horror

Imagens em minha memória
pó fumaça e calor
calafrio e arrepios
ouço gritos de pavor

Mulçumanos morrendo, ainda
a velha história de um povo superior?

Já foi vingança, armas químicas,
ideologia, reservas petrolíferas…
Qual a desculpa agora? Qual será o motor? (As mesmas)

Presidente preto, jurista e de sangue africano
muçulmano convertido cristão
nada mudou, nada acabou
nobel despendido em vão?

O mundo nem mais se importa
desliga a televisão
É normal, é rotineiro
Nem requer mais atenção.

O pó se assentou
a fumaça se esvaiu
O calor e os calafrios
aqueles milhares de gritos
estridentes e aflitos
ainda me arrepiam de pavor
As poucas horas
que uma década não superou.

Sem uma gota de sangue
em um dia quase tranquilo
a lapiseira me arranhou

É inevitável, não posso negar
é a realidade que me causa dor

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5 respostas em “Tragédia Tatuada

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